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MP investiga Organização das Testemunhas de Jeová por ocultação de abusos sexuais

Entrada da Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. (Reprodução)
O Ministério Público de São Paulo investiga uma série de acusações de violência sexual praticada por integrantes da organização religiosa Testemunhas de Jeová. Vítimas afirmam ter sofrido abusos até mesmo dentro de templos.

A investigação inédita já encontrou nove vítimas de crimes sexuais. Os abusos teriam acontecido em 15 unidades na capital e na cidade de Cesário Lange, no interior de São Paulo. O Ministério Público realizou, em sigilo, operações de busca e apreensão nos locais. A suspeita era de que os líderes religiosos, chamados de anciões, pretendiam destruir provas dos crimes para evitar escândalo

A prática é antiga. As vítimas ouvidas têm o mesmo tipo de relato. Uma delas, de 64 anos, afirma ter sido abusada pela primeira vez na infância, aos 8 anos de idade. "A gente precisa começar a ter coragem pra que outras pessoas não passem por aquilo que nós passamos", diz a mulher. "eu fiquei com aquilo guardado durante mais de 50 anos. E eu só tive coragem de começar a falar nisso, acredito que de uns oito anos pra cá". 

De acordo com a investigação, os chefes do grupo religioso foram comunicados da violência sexual em todos os casos, mas nada fizeram internamente e nenhuma autoridade policial foi comunicada. "Quando cai a ficha, a gente percebe que passou todos os anos da vida servindo a homens, não a Deus", conta um ex-ancião. 

A organização religiosa cristã surgiu nos Estados Unidos em 1920 e está presente em mais de 200 países. O grupo tem posições polêmicas, como a proibição de transfusões de sangue em seus integrantes, mesmo que a falta do procedimento leve a pessoa à morte.


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