O dilema ético da COVID-19

O dilema do trem questiona os valores de nossas decisões. (Reprodução)
Ninguém está dizendo que pessoas não irão morrer. Pessoas vão morrer, estamos diante de uma pandemia, ninguém nunca negou isso. A COVID-19 existe e vai matar muita gente mesmo e a culpa de tudo isso é da China!

Ninguém falou que se sairmos da quarentena as pessoas não vão morrer, vão morrer sim, e talvez até morra mais, infelizmente, todos sabemos disso. Mas é uma escolha do mal menor. 

Estamos agora diante de um problema ético e uma ilustração clássica poderá explicar melhor a nossa dor e a dor de nossos governantes. 

A situação é muito tensa, um trem avança sem freios e está prestes a atropelar cinco pessoas que estão sobre a linha férrea. Você está ao lado da estrada, em frente há uma alavanca que, caso seja puxada, consegue desviar o trajeto da composição. No entanto, se você acionar o equipamento, o trem vai atropelar outra pessoa na linha ao lado. 

Você tem dez segundos para tomar uma decisão. Se não fizer nada, cinco pessoas morrem. Se você puxar a alavanca, elas serão salvas, mas, como consequência, outra pessoa vai morrer.

O que você fará?

Se não fizer nada 5 pessoas morrerão, mas se você puxar a alavanca, uma pessoa morrerá, mas neste caso VOCÊ TERÁ SIDO O CAUSADOR da morte desta pessoa. 

Uma ilustração do problema do carrinho. Foto: McGeddon via WikiMedia Commons (Reprodução)
É exatamente esse dilema que estamos enfrentando!

Não tem saída, pessoas vão morrer. 

Só que do jeito que está, MAIS PESSOAS MORRERÃO A LONGO PRAZO ao passo que se retomarmos a economia, provavelmente MAIS PESSOAS MORRERÃO A CURTO PRAZO, mas MENOS PESSOAS VÃO MORRER NO FINAL DE TUDO. 

Ninguém está dizendo que a decisão é fácil, ninguém está querendo matar ninguém. 

É apenas A DIFÍCIL escolha do MAL MENOR.

Referências: 

https://www.facebook.com/abrileri/posts/10156647452206059 


Texto de Marcelo Abrileri 

Nota: O que chamamos de "princípio do mal menor" pode ser expresso, em sentido amplo, da seguinte maneira: diante de males inevitáveis é preciso escolher o menor.
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