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Somos todos filhos de ideias

Ideias. (Reprodução)
Um cidadão não precisa conhecer doutrinas filosóficas ou tratados teológicos, e nem os conceitos basilares presentes nas literaturas sociológicas e psicológicas, para ser um autêntico filho de um deles. Todos nós temos filiações. Ninguém escapa.

Quando um homem desprovido de cultura acredita que vive em uma luta de classes, e que o patrão é seu inimigo; e que merece uma parcela maior do que lhe cabe, mesmo sabendo que trabalhou e se arriscou dez vezes menos do que seu patrão, esse homem está sendo um autêntico filho de Marx e Engels, e seguindo, quase dois séculos depois, o que foi pregado no "Manifesto Comunista" em 1848. 

Do mesmo modo, o cidadão sem nenhuma formação filosófica, mas que age e pensa de acordo com sua conveniência e sem nenhuma preocupação com a verdade e a justiça, chamando ao seu cinismo de "É assim que eu vejo as coisas", esse cidadão está seguindo o relativismo fundado na Grécia Antiga por Protágoras, o pai espiritual da Revolução Francesa e de todo progressista, que afirmou o seguinte: "O homem é a medida de todas as coisas". 

Também aqueles que se recusam a aceitar a barbárie moral e espiritual do relativismo protagoriano, insistindo na existência do certo e do errado, revelam uma filiação a uma tradição muito antiga, a qual defende o conhecimento de que todos nós sabemos, em nossos corações, quando estamos agindo corretamente e com lealdade, e quando estamos agindo de modo indigno e desleal. No século 13, por exemplo, São Tomás de Aquino chamou a isso de "A luz da razão que todos nós temos em nosso interior", e, bem antes, os textos bíblicos se referiram a essa bússola moral como "o caminho dos justos", sendo o "caminho dos ímpios" o caminho dos relativistas. 

Os filhos, conscientes ou não, de Protágoras, de Marx, de Engels e da Revolução Francesa, são os esquerdistas. 

Os filhos, conscientes ou não, da herança judaico-cristã e de intelectuais como São Tomás de Aquino, são os conservadores. 

É por isso que a "polarização" que a criminalidade esquerdista tanto ironiza é uma realidade incontornável. Também é por isso que existem seres humanos que têm nojo de mafiosos como Lula, Che Guevara e Maduro, enquanto têm outros que os adoram.

Referências: 

https://www.facebook.com/marco.frenette/posts/10217220329715612 


Texto de Marco Frenette
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